Opiniões

Objetivo de vida: ostentar, custe o que custar

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Gente, fiquem orgulhosos de mim, finalmente o meu bloqueio para escrever deixou esse corpo lindo and amarelo e foi para a casa da p… que o pariu. Estou realmente inspirada nesses últimos dias. Também, com tanta barbaridade acontecendo, não há quem não queira dar uma reclamadinha, né?

Eu estava maquinando esse post a muitos anos. Esse terreno é como areia movediça que, quanto mais vc se mexe, mais afunda. Mas já que  eu não estou nem aí, vamos afundar!

O assunto de hoje é a nossa eterna mania de se dar bem, ou parecer que está se dando bem, não importa como. Eu tomo a liberdade de dizer „nossa“, pq também tenho essa mania e sei que vc que está lendo, mesmo que não admita, é do mesmo jeito. Talvez isso faça parte da evolução humana, que busquemos sempre o caminho mais fácil e prazeroso para atingir algo, ou que tenhamos que impressionar os outros ao nosso redor.

Eu vi essa foto ontem no Facebook:

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Sinceramente não me importo muito como as pessoas ganham dinheiro. Se elas trabalharam muito ou pouco. Se elas nasceram ricas ou pobres. Se elas venceram ou se deram mal na vida. O que me importa nesse momento é a fachada. É a aparência. É a vontade de ostentar o que não existe, de maquiar as coisas para que pareçam perfeitas, de querer demonstrar que a perfeição existe, apesar de tudo não passar de uma mentira.

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Eu acredito ter me  tornado uma pessoa velha no alto dos meus 26 anos. Só pode ser velhice essa coisa de acreditar naquele antigo conto de que estudar e investir em si levam vc a um lugar melhor. Conto do vigário. Pura babaquice para o mundo cibernético ou dessa sociedadezinha hipócrita que nos cerca. Porque o que vale mesmo é ostentar. E já que não há nenhum glamour no trabalho duro, nas noites em claro estudando, no trabalho maçante, no prato feito, na marmita, na universidade a ser paga, na universidade pública que entrou mais uma vez em greve, na coxinha de 1 real de cada dia, ninguém tira foto disso para postar. Claro que não. Como vc chegou lá pouco importa. Se vc ainda não chegou lá é perdedor. A vida é agora e quem ostenta hoje é rei, mesmo que amanhã esteja morrendo de fome.

Não me interessa que a (ex)vizinha mostre no Facebook que o seu filhinho de apenas 4 anos tem um tablet, oops, desculpas, um ipad. Não, eu não morava num bairro de luxo do Recife. O meu bairro tinha moradores bem simples. Tinha, porque hoje os seus moradores tem dinheiro para comprar um ipad para o filho de 4 anos, mesmo que mal tenham o que comer em casa. O que me interessa é que as pessoas não guardam o absurdo para si mesmas e as outras ainda aplaudem de pé e invejam porque não tem como dar um ipad para os próprios filhos.

Como uma ex-colega de trabalho que uma vez ligou para mim para pedir um favor. Eu, toda animada em ajudar uma das minhas primeiras colegas na Alemanha, perguntei o que poderia fazer por ela… puro erro. Ela queria perguntar se eu poderia tirar no meu nome um Iphone pós-pago para a linda filhinha de 12 anos que estaria fazendo aniversário e que queria muito muito um Iphone pq todas as outras coleguinhas na escola tb tinham um. Ela precisou se humilhar e pedir uma coisa dessas a uma pessoa quase estranha para que a sua filha de DOZE ANOS (GENTE!!!) pudesse ostentar na escola! E a tal menina sabia disso e em vez de entender que a mãe não tinha dinheiro para uma coisa dessas, ficava pressionando ela, se fazendo de vítima.

Aí vc pode me perguntar: ei, e o que é que eu tenho a ver com isso? Vc tem muito a ver com isso, pq vc pactua com esse absurdo. Vc admira a blogueira rica que anda por aí com 30 mil reais em um look e vc pensa que isso seria o ideal pra vc tb. Vc até sente inveja pq ela pode e vc não. E na primeira oportunidade vc gasta até o que não tem para comprar algo para ostentar tb. E vc terá filhos um dia e comprará pra eles Iphones para que eles sejam vistos como „ricos“ pelos coleguinhas na escola.  Vc acredita que a vida dos outros é perfeita e a sua é uma porcaria. Vc até faz das tripas coração para seguir a modinha do mês, a dietinha do mês, a trendizinha do mês pq vc mesmo não quer ser excluido. E ainda acha babaca aqueles pobres diabos que lutam contra a correnteza e vão estudar.  Ou acham que o cara que estuda é corajoso, gente boa… mas „isso não é pra mim não, eu não tenho paciência“.

Eu até entendo o amor de mãe que diz „vou dar tudo o que eu não tive aos meus filhos“, mas não entendo o fato de que esses filhos são criados para explorar os pais, para arrancar tudo deles em nome das aparências. Os pais é que se sentem culpados caso não possam dar a calça jeans que os filhos pediram. Eles se despedaçam, fazem horas extras, trabalham de dia e de noite para isso.  Os sonhos estão cada vez mais pequenos e palpáveis hoje em dia: a gente sonha hoje, o pai gasta o salário mínimo que ganha e realiza o sonho amanhã. Na minha adolescência eu sonhava em conhecer o mundo, falar várias línguas, ter uma biblioteca imensa, ter um diploma. Os jovens do rolezinho sonham com um tênis a Oaklen, um óculos Rayban, os ousados sonham com um look de boutique diferente por dia. E as vitrines das lojas do shopping são como o ideal de vida a ser alcançado por cada um, ou pelos pais deles.

Depois da repercussão do caso, a menina e a mãe dela resolveram gravar um vídeo para dar a sua versão dos fatos:

 

 

 

Bom, depois de ouvir a opinião das envolvidas, dê a sua própria opinião sobre o caso! E sim, vc tem o direito de dar opinião, já que o fato não é um fenônimo isolado, mas algo crescente que merece reflexão.

Beijos congelados da Alemanha,

Nanda

Imagens: Reprodução

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